“Não existe ciência sem filosofia. Apenas há ciência cuja bagagem filosófica foi para bordo sem ser analisada”
D. Dennett
A filosofia da ciência – terno vulgarizado por W. Whewell (1794-1866), filósofo da ciência e erudito inglês, membro vitalício do Trinity College, de Cambrige, cuja filosofia da ciência pode ser vista como uma aplicação de Kant à aventura cientifica, tal como foi concebida por Newton e F. Bacon – consiste no estudo da natureza da própria ciência, entendendo-se por natureza os métodos, conceitos, pressuposições e o seu lugar num esquema geral de disciplinas. Esta vertente filosófica divide-se, sumariamente, em três domínios:
1. O estudo do método, da natureza, dos símbolos científicos e da sua estrutura lógica;
2. A classificação e definição dos conceitos da ciência;
3. O estudo dos limites das várias ciências com o objectivo de especificar as relações entre elas.
Nos últimos anos, surgiram outros tipos de problemas, tais como o das relações sociais da ciência, ou seja, da sua relação com a sociedade do momento, em termos políticos, laborais, artísticos, religiosos ou morais. O seu universo de preocupações estende-se, assim, à compreensão epistemológica, metafísica e axiologia das Ciências epistemológicas, metafísica e axiologia das Ciências.
A filosofia das Ciências acolhe, de modo generalizado, a investigação de problemas que surgem da reflexão sobre ciência e a prática científica. Entre esses problemas contam-se os seguintes: o que há de distinto nos métodos científicos? Haverá uma linha de demarcação clara entre as ciências e as outras disciplinas? Onde devemos colocar a investigação histórica, económica e sociológica? As teorias científicas são prováveis ou apenas conjecturas provisórias? Podem ser verificadas / falsificadas? O que distingue uma boa de uma má explicação? Pode haver uma ciência unificada, susceptível de abraçar todas as ciências especificadas?
Na maior parte do século XX, estas questões foram colocadas num contexto lógico e abstracto. No entanto, muitos autores interessam-se, hoje, por uma perspectiva mais histórica, contextual e até sociológica. Nestas perspectivas os métodos e os êxitos da ciência de uma época particular são apreciados não tanto em termos de princípios lógicos e processos universais, mas em termos dos métodos que estavam disponíveis, de paradigmas também inseridos no contexto social. Convém destacar que para além das questões gerais de metodologia, existem problemas específicos que dizem respeito às ciências particulares e que dão origem a filosofias especializadas como a Filosofia da Matemática; da Filosofia da Biologia; e Filosofia da Física.