O povo português nunca está satisfeito e tal como o extraordinário e nobre filósofo José Gil nos afirma «Em Portugal não há drama, tudo é intriga ou trama»
E assim me parece ser esta a melhor enunciação a aplicar a um país como o nosso se tem vindo a difundir. Mais uma vez vos presenteio com uma curta reflexão acerca da actividade governamental do nosso país, apresentada, desta vez, metaforicamente e reservada apenas aos Doutos. Trata-se de um tratado acerca da consciência portuguesa, nos seus diversificados vícios e exposta de modo crítico [talvez derivado à influencia da leitura do livro de José Gil «Portugal Hoje: O Medo de Existir]. Este medo talvez apareça de forma oculta mas muito vincado nos seus aspectos vivenciais.
O ESTADO ACTUAL
A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria-prima de um país. Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
PERTENÇO A UM PAÍS ONDE…
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos… e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a falta de pontualidade é um hábito. Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros. Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é “muito chato ter que ler”) e não há consciência nem memória política, histórica nem económica. Onde nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliara classe média e beneficiar a alguns.
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser “compradas”, sem se fazer qualquer exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar-lhe o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão. Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.
NÓS TEMOS QUE MUDAR. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro… somos nós que temos de mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que nos anda a acontecer: desculpamos mediocridade de programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
CONCLUO QUE A CULPA DE TUDO ISTO É…
Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de mouco, e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ! NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO. SOU PORTUGUESA E POR ISSO TAMBÉM A CULPADA.
Estimada Senhora Juanna Inês Pontes,
O seu email da lekton (bounces) alertou-me para este sítio. Que estou visitando pela primeira vez e gostei e nele participarei se mo permitirem despois de lerem o que a seguir escrevo. O que vou escrever tem e terá sempre origem na minha mente e origem no meu coração, em harmonia não expontânea. Esta é a minha maneira de estar no mundo. Porque o afirmo antes mesmo de escrever? Porque, entendo, que só pela relação deliberadamente harmoniosa entre os dois se pode avançar no conhecimento. Não é uma posição irredutível. Esta aberta a disputas.
Lendo o seu texto, confrange-me verificar o desanimo que invade as suas palavras e até as do filósofo José Gil de quem já li algumas coisas e escutei em seminários. Como se fossemos um povo de pobres diabos, incapazes de ombrear com outros. Devo, neste ponto, afirmar peremptoriamente não estar enfeudado a nenhum partido nem a nenhuma idiologia. Logo, os pontos de vista que defendo são meus e assumo a responsabilidade de os defender assim como de aprender com quem me iluminar.
Voltando ao tema «povo português» e suas deficiencias.
Repare Estimada Senhora que todas as criticas que faz vão num só sentido: os portugueses não cumprem, os portugueses não obedecem, os portugueses não respeitam.
Permita-me que lhe deixe aqui expressas as seguintes questões:
- 1ª os portugueses não cumprem o quê? Não pegam nos remos com o preceito devido e ordenado pelo esbirro do tambor que marca o ritmo da produção?
- 2ª os portugueses não obedecem? Não obedecem a quem e porquê?
- 3ª Os portugueses não respeitam? Bem, e quem deve respeitar os portugueses por acaso ols respeita?
Como pensamento de reflexão cito uma frase de um alentejão analfabeto de 60 anos, o Gaspar já falecido infelizmente, que um dia me disse: «o sr. Figueiredo pode saber muito dos livros, mas quando vem para aqui (o Alentejo) a terra não o conhece, você não a conhece e morreria de fome». Noutra altura (ele trabalhou para mim alguns anos) quando falávamos de salários e aumentos disse-me: «repare, eu trabalho para si alguma coisa mas trabalho mais para mim aqui na sua horta de onde tomo o sustento dos meus gratuitamente, mas sabe, aqui à volta é o único que o faz. Todos querem pelo menos metade da produção da horta! E, sr Figueiredo, para quê trabalhar para eles? Para os ver a passear os dias inteiros de Mercedes?»
Para terminar, seria interessante que antes de repetirmos chavões no conforto das nossas casas, se fizesse um doutoramento sobre porquê o português é como é.
Com amizade,
Edmundo dos Santos Figueiredo
Ol Edmundo dos Santos Figueiredo,
Peo desculpa pelo atraso na resposta, mas ando a trabalhar num novo site. o site para o qual enviou o comentrio, foi um site criado para um ano apenas (altura em que estive a desenvolver um artigo em parceria com um colega)
Apresento-me: chamo-me Joana e estou a doutorar-me em filosofia da biologia (gentica e medicina). Porm, a ideia de fazer um doutoramento em torno do portugus aliciante!
Quanto ao comentrio, devo agradecer, foi crtico e pertinente. Quanto s questes:
1 os portugueses no cumprem o qu? – 2 os portugueses no obedecem? No obedecem a quem e porqu? – 3 Os portugueses no respeitam? Bem, e quem deve respeitar os portugueses por acaso ols respeita
Os portugueses no cumprem, em geral a lei, ou ento, na maioria das vezes, no a fazem cumprir! H muito incumprimento e pouco investimento intelectual e prtico. O portugus prefere contornar ou desenrascar, tpico, porque a nossa mentalidade curta! (ex: homens a passear o Mercedes), os horizontes estreitos e tudo ainda fruto de uma certa sonolncia ditatorial.
As razes so vrias, a tolerncia, a proximidade em demasia ( p), a falta de disciplina, os brandos costumes (muito tpicos), o deixa andar, o mais vale ele que eu, o andarei por a. o medo, etc. Existem muitos cunhos portugueses responsveis pela inercia que vivemos hoje! Os estrangeiros que tememos em introduzir, os portugueses tem uma estranha resistncia ao estrangeirismo, bem como novidade em geral!
Joana Ins Pontes
Achei q tivesse falando do Brasil… kkkk…
Ô raça!!!
Tem q pegar aki e acolá e jogar sal em cima pra não brotar de novo!
kkkk