Category Archives: Raça, QI e Genética

CRENÇA NA CRENÇA DE QUE AS DIFERENÇAS RACIAIS NÃO TÊM IMPLICAÇÕES NA IGUALDADE

«Algumas pessoas acreditam que a crença nas diferenças raciais

é tão perniciosa,que mesmo quando é verdade,

deve ser esmagada.»

Daniel Dennett, 2006

Normalmente, quando se registam diferenças nos testes de QI, independentemente da justificação apresentada para as explicar, a existência dessas diferenças não é realmente posta em causa, mesmo por quem se opõe de forma drástica às perspectivas defendidas por Jensen, Eysenck ou Rusthon (Singer, P., 2002). Os testes são precisos, cientificamente controlados e os seus resultados são claros. Logo, o ponto mais polémico deste debate não reside na análise dos dados, mas na questão ‘a priori’ de se saber se esses estudos são realmente possíveis e legítimos. Afinal, o que é isso de fazer estudos com ‘raças’? Será que é possível e legítimo comparar raça e QI?

Apesar dos inúmeros estudos realizados, da evidência dos seus resultados e da sua aceitação no meio científico, existe uma quantidade razoável de investigadores que considera esses estudos fraudulentos e desprovidos de credibilidade. Segundo a óptica desses refutadores, não faz sentido e é totalmente impossível fazer estudos comparativos entre raça e QI, pois o próprio conceito de raça é produto de uma construção social, logo, não pode ser submetido a parâmetros de estudo científico. Num artigo intitulado Intelligence, Race and Genetics, da Yale University, publicado na revista American Psycologist (2005), vários investigadores (Sternberg, R. J., Grigorenko, E. L. e Kidd, K. K.) defendem que o conceito de raça é uma construção social e que os estudos acerca do relacionamento entre as raças podem servir extremidades sociais, mas nunca extremidades científicas: «Onde é que a raça se ajusta no teste de padrão genético? Realmente, não cabe em parte nenhuma. A raça é um conceito social construído, não biológico. Deriva do desejo de uma pessoa classificar. Os povos parecem ser naturais classificadores». Os autores do artigo vão ainda mais longe ao afirmarem que nenhum gene foi, até hoje, ligado de modo conclusivo à inteligência, por isso, qualquer tentativa de estabelecer uma ligação genética entre a raça e a inteligência é impraticável neste tempo, dado que a hereditariedade (conceito «empírico-genético») é inadequada para proporcionar tal ligação: «Um número de académicos reincidia ter estudado relacionamentos entre inteligência, a raça e a genética (por exemplo, Herrnstein & Murray, 1994; Rushton, 1995). A tese deste artigo é que estes estudos não estão radicados em construções científicas mas em crenças populares acerca delas. Há uma grande diferença entre estudar relacionamentos com base em construções científicas e estudar relacionamentos tendo por base crenças populares. O maior problema é quando se estuda o último mas se acredita que se está a estudar o primeiro» (Sternberg, R. J., Grigorenko, E. L. e Kidd, K. K., 2005).

Estes autores sustentam a crença de que a raça é um conceito cultural, portanto, os estudos entre as raças e as suas diferenças (QI) apenas podem acentuar a falta de idoneidade dos investigadores envolvidos. Isto significa que os estudos científicos realizados nesta área, ao longo dos últimos 150 anos por investigadores como Broca, Bouchard, Lynn, Jensen, Deary ou Rusthon, envolvendo desmesurados financiamentos, não passaram de um embuste. Mas então, e os resultados obtidos? O que fazer com eles? Será legítimo ignorar ou destruir anos de trabalho numa área tão complexa como esta, envolvendo respeitadas equipas de investigadores e colaboradores, só porque se ‘acredita que a raça não é um conceito biológico’ e que, em consequência, contrariamente às provas científicas, deixa de ‘ser possível existirem quaisquer diferenças no QI’ entre as raças’? Deveremos, por isso, descurar e declinar estes estudos?

Existem duas coisas a respeito desta crítica que é importante sublinhar: i) não é pelo facto de desaprovarmos ou não acreditarmos nestes estudos que eles deixam de existir ou de ter a sua validade científica ‘real’: por exemplo, existem dados clínicos claros sobre a diferente susceptibilidade a doenças de pessoas pertencentes a diferentes etnias, bem como a diferente reacção a medicamentos, embora esses resultados sejam considerados inaceitáveis por alguns investigadores e entidades que subsidiam a investigação – o que não os invalida; ii) não é transformando o conceito de raça num conceito unicamente cultural que a subsistência de ‘diferenças’ entre as diversas raças deixa de existir e que o problema do racismo se resolve. Os racistas não desaparecem apenas porque a raça se torna um conceito cultural (do mesmo modo que não se multiplicam apenas porque a raça é entendida como um conceito biológico): para um racista, as justificações ou as provas são totalmente arbitrárias, aquilo que realmente importa são as ‘crenças pessoais’ (de ‘foro íntimo’) que o conduzem a agir daquela forma. Deste modo, a abolição do termo raça como conceito biológico apenas permite classificar o racismo como um movimento ‘irracional’ e cientificamente ilegítimo, ao mesmo tempo que se abre a possibilidade aos racistas de justificarem os seus actos com ‘crenças culturais irracionais e injustificáveis’. Se a raça é um produto cultural e o homem tem tendência para ‘classificar’ os que pertencem a outras culturas, por serem ‘diferentes’ da sua, então os racistas são ‘classificadores revolucionários’: descriminam os que são exteriores à sua cultura por ‘razões e crenças estritamente culturais’ que edificam o seu próprio grupo. Assim, a discriminação racial é fruto do reconhecimento pessoal da ‘existência de diferenças entre as raças’, as quais levam à formação de crenças sólidas acerca dessa diferença.

Como referi e sublinho novamente, não é da competência deste trabalho avaliar ou optar por teorias, mas esclarecer que não há motivo para controvérsias exacerbadas quanto às origens das diferenças entre os seres humanos. Isto, porque os estudos científicos acerca das diferenças entre as raças não têm implicações perniciosas face ao ideal de igualdade, pelo contrário, ajudam-nos a compreender melhor a complexidade e diversidade do ser humano, bem como a promover condições sociais mais eficazes em função das suas precariedades. É necessário compreender que a aceitação da igualdade entre os diversos seres humanos relaciona-se com o conjunto de crenças que enformam o pensamento e a mentalidade de cada um. Logo, mesmo que a hipótese genética esteja correcta, i. e. que as diferenças de QI entre as raças se devam, realmente, a factores genéticos (Herrnstein & Murray; Rusthon & Ankey; Lynn, R., & Vanhanen, T,; Fryer, Jr. & Levitt, S. D.) as implicações não são tão drásticas, nem tão reconfortantes para os racistas genuínos, como muitas vezes se pensa. Existem, segundo a minha óptica, três razões que me parecem ser suficientes para defender esta teoria:

(i) qualquer que seja a origem das diferenças entre as raças, o condicionamento cultural pode atenuar ou acentuar essas diferenças: a hipótese genética não implica que devamos reduzir os nossos esforços para vencer outras causas de desigualdade entre as pessoas (ex: habitação precária; acesso à escolaridade). Independentemente do grupo racial em que estão inseridas, as pessoas não devem ser impedidas pelo seu ambiente de fazer o melhor possível, pelo contrário, talvez até devêssemos empenhar mais esforços no auxílio dos que partem de uma posição desvantajosa, no sentido de atingirmos um resultado mais igualitário;

(ii) as pessoas devem ser avaliadas enquanto indivíduos, não podemos simplesmente agrupá-las e a partir daí retirar as conclusões: o facto de um QI médio de um grupo racial ser mais elevado que outro isso não permite a ninguém dizer que todos os membros do grupo com QI mais elevado têm um QI superior ao de todos os membros do grupo de QI menor – isto é claramente uma falsidade relativamente a qualquer grupo racial – nem que um determinado indivíduo do grupo com QI mais elevado tem um QI superior ao de um determinado indivíduo do grupo de QI inferior – em muitos casos, isto seria falso. Estes quocientes são apenas – como já referi – médias, que nada dizem acerca do indivíduo ‘em si’. Logo, qualquer que seja a causa das diferenças entre o QI médio, não há qualquer justificação para a segregação racial em qualquer campo social: os membros de diferentes grupos raciais devem ser tratados como indivíduos.

(iii) o princípio da igualdade não se baseia em qualquer igualdade real partilhada por todas as pessoas: defendo, tal como já foi postulado, que a única base defensável para o princípio da igualdade é a consideração de interesses, sendo que os interesses humanos mais importantes não são afectados por essas diferenças de inteligência, como por exemplo: o interesse em evitar a dor, em desenvolver as suas próprias capacidades, em satisfazer as necessidades básicas de alimentação, de abrigo, de desfrutar de relação pessoais, de ser livre, de construir os seus próprios projectos sem interferências, etc. (Singer, P., 2008).

Deste modo, o estatuto de igualdade não está dependente da inteligência. Ainda que grupos raciais obtenham diferentes resultados médios de QI, isso não serve de base para negar o princípio moral de que todos os seres humanos são iguais, i. e. de que todos têm os mesmos direitos e oportunidades. Os racistas que defendem o contrário arriscam-se a ter que se resignar perante o primeiro génio que encontrem. Tal como escreveu Thomas Jefferson numa carta em resposta a Henri Gregoire e à sua tentativa de refutar a perspectiva então comum de que os Africanos eram desprovidos de inteligência: «Pode ter a certeza de que não há pessoa que deseje mais sinceramente que eu, ver uma refutação total das dúvidas que eu próprio acalentei e exprimi quanto ao grau de compreensão que lhes foi atribuído pela natureza, nem ninguém deseja mais sinceramente descobrir que eles estão em pé de igualdade connosco (…) mas, qualquer que seja o seu grau de talento, não constitui medida dos seus direitos. Lá por o Sir Isaac Newton ser superior em compreensão aos outros, não foi, por isso, senhor da propriedade ou pessoa de outros». (Jefferson, T., 1809). Qualquer que seja o nível de QI de um indivíduo, ele apenas poderá ser útil ao mesmo, pois as diferenças de QI não são utilizadas como medida de estabelecimento de deveres e direitos para o universo populacional: todos os cidadãos têm os mesmos direitos, independentemente do sexo, do QI, da tonalidade de pele, etc.

Assim, perante a questão de se saber se é ou não legítimo continuar a comparar a Raça e o QI, a resposta é: evidentemente, uma vez que: i) os testes de QI desempenham um papel importante na nossa sociedade: o QI de uma pessoa é um factor que mede as perspectivas de cada um para melhorar o seu estatuto profissional, rendimento ou classe social; ii) os testes de QI prevêem o sucesso académico e profissional de igual forma para os Brancos, os Negros e os Orientais, permitindo-nos «classificar» as raças e estabelecer um padrão: em média, os Orientais obtêm os resultados mais altos, os Negros os mais baixos, enquanto os Brancos se situam no meio, mas mais próximos dos Orientais; iii) as mesmas diferenças raciais aparecem tanto em testes que foram feitos para serem culturalmente isentos, como nos testes de QI comuns: «Na realidade, os Negros até obtêm resultados ligeiramente mais altos nos testes de QI comuns, do que naqueles que são ‘culturalmente isentos’ – este facto está em oposição com a teoria cultural» (Rusthon, J. P., 2000).

Neste sentido, o problema em causa é o seguinte: se existirem realmente factores genéticos nas diferenças raciais de QI, como nos indica Jensen, Herrnstein e Murray’s ou Rusthon, haverá igualmente factores genéticos nas diferenças de estatuto profissional, rendimentos e classe social. Logo, se estamos interessados na igualdade e na defesa da dignidade humana não poderemos ignorar o QI, nem os estudos a ele associados.

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CONTROVÉRSIA ACTUAL ENTRE RAÇA E «QI»: PODEM OS GENES DIZER-NOS ALGUMA COISA?

«Toda a nossa política social está baseada no facto da inteligência deles [africanos]

ser a mesma que a nossa. Mas todas as experiências dizem que não é bem assim (…)

Quem tenha que lidar com empregados negros sabe que isto não é verdade.

James Watson, 2007

Em 14 de Outubro de 2007, o biólogo molecular norte-americano de 79 anos, James Watson, vencedor do prémio Nobel da Medicina em 1962, por ser um dos descobridores da estrutura molecular do ADN em 1953 e muito famoso no meio académico pelas suas opiniões polémicas (as quais lhe valeram o apelido de ‘Honest Jim’) deu uma entrevista à revista do Jornal londrino Sunday Times, afirmando-se «pessimista» sobre o futuro da África, pois as políticas sociais para o continente eram baseadas no facto de a inteligência dos negros ser igual à dos brancos, apesar das experiências nos dizerem que não é bem assim. Em consequência destas declarações, centenas de cientistas oriundos de várias partes do mundo escreveram artigos ou manifestaram-se publicamente a respeito das opiniões de Watson, a maioria contra elas; o Museu de Ciências de Londres e a Universidade de Edimburgo cancelaram as conferências que ele iria dar naquela mesma semana e o laboratório de Cold Spring Harbor demitiu-o – embora Watson já tivesse difundido posições semelhantes no seu livro Avoid Boring People (Evite Pessoas Chatas), lançado em Setembro do ano de 2007.

Acusado de racista, extremista e colocado ao lado da figura de Hitler, Watson não parece ter recebido um tratamento muito diferente daquele que Jensen e Eysenck sofreram na década de 60 ao afirmarem que os afro-americanos obtinham resultados inferiores nos testes de inteligência, e que tal se devia, maioritariamente (80%), a factores genéticos. Isto demonstra que não houve qualquer mudança de mentalidade e que o público permanece ignorante quanto a este género de estudos e pouco preparado para lidar com situações nas quais se declara abertamente a diversidade racial – algo natural ao longo da história humana.

Mas muito antes de James Watson fazer os tão publicitados «comentários racistas», outros cientistas (Burt, C., Jensen, A. R., Eysenck, H. J., Herrnstein e Murray’s, Lynn e Vanhanen’s, Rusthon, J. P.) publicaram, ao longo dos últimos 150 anos, vários artigos a descrever a evidência das diferenças de QI entre grupos étnicos. Jensen (1969) em Harvard Educational Review, após a realização de vários testes de inteligência concluiu que: 1) os testes de QI medem a dimensão da capacidade geral (general-ability) que possui grande relevância social; 2) as diferenças individuais no QI têm uma elevada hereditariedade; 3) os programas educacionais mostram-se, geralmente, ineficazes na mudança do status da capacidade geral em indivíduos e grupos; 4) as diferenças de classe social no QI têm uma componente genética apreciável e, por fim, a mais controversa de todas; 5) a medida das diferenças entre grupos de Negros e Brancos no QI possuem, provavelmente algum componente genético. Mais tarde, num livro intitulado The G Factor (1998) Jensen mostra que g – factor geral da capacidade cognitiva – é: 1) o aspecto mais previsível nos testes de capacidade cognitiva; 2) está relacionado com a dimensão do cérebro, índices de hereditariedade e outros factores biológicos; e 3) mostra uma medida significativa de diferenças nos grupos raciais.

Herrnstein & Murray’s (1994) no livro The Bell Curve – Inteligence and Class Struture in American Life, que se tornou best-seller nos Estados Unidos, também reforçaram a evidência de um factor geral de leitura nas diferenças de QI, o que levou o pêndulo da influência da Genética (nature) Vs. Ambiente (nurture) a inclinar-se na direcção da ‘genética’, pelo menos aos olhos do grande público, acabando por gerar uma enorme controvérsia na psicologia, sociologia, educação e política, já para não mencionar os media. Charles Murray, cientista político norte-americano e co-autor deste polémico livro, embora mais novo que James Watson, sofreu o mesmo tipo de crítica ao defender, juntamente com Richard Herrnstein, psicólogo e professor de Harvard, que: i) o QI pode prever o sucesso académico e profissional: grupos com baixo QI predizem abuso infantil, crime e delinquência, má saúde, propensão para acidentes, geração de crianças fora do casamento, divórcios antes de decorridos cinco anos de casamento e mesmo o acto de fumar durante a gravidez; grupos com QI elevado possuem mais indivíduos de capacidades superiores: enquanto os Orientais (detentores de QI’s mais elevados) desenvolveram sociedades complexas na Ásia, e os brancos (com QI’s intermédios) produziram civilizações complexas na Europa, os africanos (com QI’s inferiores aos restantes) não foram capazes de o fazer; ii) os testes de QI apontam para a diferença entre as raças e demonstram a força da hereditariedade: em média, os Orientais obtêm melhores resultados de QI que os Brancos, os quais conquistam, geralmente, uma média melhor que os Negros: as diferenças entre Brancos e Negros em termos de QI surgem muito cedo, normalmente, a partir dos três anos de vida, e não são somente devidas a diferenças de classe social, mas sobretudo à hereditariedade.

Em geral, aquilo que Herrnstein & Murray (1994) procuraram demonstrar no seu livro é que «a inteligência de um indivíduo – geneticamente herdada, não menos de 40%, nem mais de 80%, dos seus pais – têm mais influência que o fundo socioeconómico sobre o qual se irão desenvolver as suas experiências futuras» (Manolakes, 1997). A parte da obra que mais captou a atenção pública foi a questão das diferenças de QI entre Africanos, Americanos e Caucasianos. O autores afirmaram que: 1) os asiático-americanos possuem um QI médio mais elevado que os americanos brancos, e que; 2) os americanos-brancos têm uma média de QI superior aos americanos negros. Foram também realizadas investigações sobre as diferenças raciais nos sub-componentes de inteligência. Hernerrstein & Murray relatam que: 1) a pontuação dos Asiáticos é normalmente, a mesma ou ligeiramente inferior à pontuação dos americanos brancos nos testes de QI verbais, mas mais elevada no QI ‘espacial-perceptual’; 2) os americanos negros tendem a obter pontuações mais elevadas que os brancos em sub-testes que envolvem aritmética e memória imediata, enquanto os brancos pontuam mais nos sub-testes de capacidade ‘espacial-perpectual’. Os autores reconhecem que as causas dessas diferenças podem ser ambientais, porém, as diferenças de QI parecem ser demasiado grandes para serem explicadas somente por influências ambientais: 1) fornecem muita pontuação; 2) estudos entre descendentes da mesma raça apresentam resultados análogos.

A partir do momento em que o QI começa a ser largamente entendido como geneticamente determinado, Herrnstein & Murray apresentaram sugestões acerca das implicações da inteligência (geneticamente herdada) na vida pública, política e social. Os autores expressam resistência às intervenções educacionais e ambientais, argumentando que o dinheiro gasto dessa forma é um autêntico desperdício, pois a América está-se a tornar uma sociedade de «castas cognitivas», sendo que a casta mais baixa inclui uma larga proporção de Africo-Americanos, Hence their statement that the ‘genetic capital’ of society is being eroded because the less intelligence, lower class is reproducing at a greater rate than high IQ classes.daí a afirmação de que o «capital genético» da sociedade está a ser afectado, pois os grupos de inteligência inferior (coincidentes com a classe mais baixa) reproduz-se numa taxa mais elevada que as classes de QI superior. Entenda-se que apesar destes estudos parecem apontar de uma forma radical para a divergência entre as raças, seria incorrecto da nossa parte caracterizar ou apelidar The Bell Curve como o livro da «Curva Racista» ou «Geneticista», apenas porque apresenta sugestões bem-intencionadas para melhorar a vida pública em função de resultados obtidos em testes de QI. Note-se que mesmo os depreciadores desta tese, tais como Wahlsten (1997) “It does not matter whether the field of human behavior genetics finally decides that the heritability of IQ in the United States is 25%, 40%, 50%, or 70%. Any such estimate will be utterly useless to anyone seeking better ways to improve the intelligence of the nation through health care and educareconhecem a importância do seu contributo para o debate psicológico actual.

Mas Herrnstein & Murray (1994) não são os únicos a defender a diferença racial no QI e a estabelecer relações com o desenvolvimento das nações. Na realidade, o livro The Bell Curve «apenas» veio reforçar os resultados já obtidos pelo Psicólogo Britânico Richard Lynn em 1991, num artigo intitulado The Evolution of race Differences in Intelligence (1991). A compilação dos dados obtida ao longo de 20 anos de investigação resultou na apresentação de um padrão global de resultados de QI: os orientais do Anel do Pacífico têm QI entre 100 a 111; os Brancos da Europa possuem um QI de 100 a 103 e; os Negros que vivem em África têm um QI de cerca de 70 – a média mais baixa até hoje registada – confira-se os resultados no quadro abaixo:

Fig. 3: Retirado da terceira edição não abreviada de Raça, Evolução e Comportamento (pág.15 a 16)

Estes resultados adquiriram enorme popularidade no livro IQ and the Wealth of Nation, publicado por Richard Lynn e Tatu Vanhanen (2002), no qual se discutem as correlações existentes entre as diferenças no quociente médio de inteligência nacional (QI) e a riqueza das nações. Lynn & Vanhanen (2002) explicaram a evidência desta relação ao mostrar que o QI é um dos factores que contribui de forma determinante para as diferenças de riqueza a nível nacional e para as diferenças nas taxas de crescimento económico. Segundo os autores, o gigantesco desenvolvimento nos países de primeira linha mundial (nomeadamente, a América do Norte e a Europa) deve-se, sobretudo, ao elevado nível de inteligência da sua população, que está, de acordo com Vanhanen, directamente relacionado com o facto de a maioria da população desses países ser de raça Caucasiana. Inversamente, o subdesenvolvimento de países como a África é consequência directa dos baixos QI´s da população, ocasionado pelo facto dos habitantes desses países serem predominantemente Negros. Lynn & Vanhanen (2002) chegam à conclusão, após a análise de 81 nações, que países cujo QI seja inferior a 90 correm um sério risco de desenvolvimento. Em justificação, apresentam a seguinte lista: «Hong Kong: 107; Coreia do Sul: 106; Japão: 105; Taiwan: 104; Holanda, Alemanha e Áustria: 102; Suécia: 101; Finlândia: 97; Índia: 85; Tanzânia: 72; Nigéria: 67; Serra Leone: 64; Etiópia: 63; Guiné Equatorial: 59».

As diferenças médias de QI registadas por Hernerrstein, Murray, Lynn e Vanhanen, foram progressivamente obtidas, de modo similar, por muitos outros estudiosos. Kenneth Owen, utilizando as Matrizes Progressivas de Raven (que medem o raciocínio e não a informação cultural específica) obteve um QI de 70 para africanos negros que frequentavam o sistema escolar sul-africano. Fred Zindy, um zimbabueano negro, através de um estudo semelhante realizado no seu país, com jovens dos 12 aos 14 anos, constatou os mesmos resultados, sendo interessante sublinhar que os estudantes Mestiços da África Do Sul têm um QI de 85, i. e. o mesmo que os Negros nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Caraíbas. Os métodos genéticos (tais como os utilizados em testes de paternidade) indicam-nos que «estes Mestiços têm cerca de 25% de antepassados Brancos (25% White Ancestry) e os seus QI’s situam-se no ponto intermédio, ou seja, entre os Negros ‘puros’ (70) e os Brancos ‘puros’ (100).» (Rusthon, J., P., 2000).

Mais recentemente, Roland G. Fryer, Jr. e Steven D. Levitt (2007) num artigo intitulado Testing for Racial Differences in the Mental Ability of Young Children também chegam à conclusão que existem diferenças de QI notórias entre as diversas raças, as quais se mantêm ao longo do seu desenvolvimento social: «Em testes de inteligência, os Negros pontuam sistematicamente pior do que os Brancos. (…) Mesmo depois de ter em conta factores demográficos e sócio-económicos tais como salário parental, educação, profissão, ambiente familiar, peso de nascença, região e urbanicidade, permanece mesmo assim uma diferença racial substancial nos resultados dos testes entre Brancos e Negros. Os Asiáticos tendem a ter resultados médios sistematicamente mais elevados do que as outras raças» (Fryer & Levitt, 2007). Segundo este artigo, as acentuadas diferenças de QI averiguadas entre as raças evidenciam uma forte componente genética: qualquer que seja o ambiente em que se desenvolve, o QI enquadra-se sempre na mediania do grupo étnico ao qual pertence, daí a possibilidade de se «catalogar».

John Philippe Rusthon, Professor de Psicologia da Universidade de Westen Ortario, no Canadá, muito conhecido pelo seu trabalho de investigação na inteligência e nas diferenças raciais, apresenta conclusões idênticas, embora mais arrojadas, nas suas publicações. Rusthon verifica que quando pessoas de diferentes raças realizam testes de QI, tendem a registar-se diferenças nos resultados médios que obtêm. Segundo as suas investigações, essas diferenças encontram-se estreitamente relacionadas com a dimensão do cérebro (que é diferente entre as várias raças): «Os Orientais têm (em média) os maiores cérebros e os mais altos QI´s; os Negros os menores e os Brancos colocam-se numa posição intermédia. As diferenças no tamanho dos cérebros explicam as diferenças de QI, quer dentro dos grupos, quer entre grupos» (Rusthon, J. P. 2000). Estes resultados foram progressivamente divulgados em revistas científicas. Em Brain size and cognitive ability: Correlations with age, sex, social class, and race, da Revista Psyconomic Bulletin and Review, Rusthon, juntamente com Ankney (1996), utilizando a recente técnica da Imagem por Ressonância Magnética (‘Magnetic Resonance Imaging’ – MRI) para medir o volume do cérebro humano, encontraram ao longo de oito estudos (envolvendo mais de trezentos e oitenta e um adultos) uma correlação de 0,44 entre o QI e a dimensão do cérebro. É importante sublinhar que esta correlação obtida com a MRI é mais elevada do que a correlação anteriormente observada de 0,20, através da simples utilização de medidas do tamanho da cabeça (embora 0,20 seja significativo). Durante trinta e quatro estudos, Rusthon e Ankney apuraram que a correlação de 0,44 entre a dimensão do cérebro e o QI é tão alta como a correlação entre a classe social em que o indivíduo nasceu e o seu QI em adulto, o que demonstra, de modo evidente, que o tamanho do cérebro possui ligações com as realizações culturais – razão pela qual merece atenção redobrada.

A defesa da existência de uma correlação acentuada entre o QI e o tamanho do cérebro não é nova (recorde-se os estudos de Paul Broca em 1980) e tem vindo a ser largamente publicitada. Num artigo publicado na Revista Intelligence, Rusthon (1997), através da análise dos dados obtidos pela Collaborative Perinatal Project, que registam o tamanho do volume craniano em centímetros cúbicos e os resultados de QI de cerca de 50 mil crianças, desde o nascimento até aos sete anos (Broman, Nichols, Shaugnessy, e Kennedy, 1987), verificou que as diferenças raciais na medida do cérebro não só subsistem como são observadas desde o nascimento:

Fig. 4: Capacidades cognitivas em centímetros cúbicos. Dados desde o nascimento até aos 7 anos obtidos no U.S. Perinatal Project, dados de adultos do exército dos E.U.A. Em Rusthon, J. P., 1997, Intelligence, 25, pág. 15

Segundo o gráfico, desde o nascimento até aos sete anos de idade, as crianças Asiático-americanas registam volumes cranianos maiores que as crianças Brancas, as quais, por sua vez, registam volumes cranianos superiores aos das crianças Negras. Entre cada uma das raças, as crianças com maiores capacidades cranianas obtiveram pontuação mais elevada nos testes de QI. Pelos sete anos, os asiático-Amercianos pontuaram um QI de 110, as crianças Brancas pontuaram um QI de 108 e as crianças Negras registaram um QI de 90. Isto comprova que as diferenças raciais no tamanho do cérebro/QI não se relacionam com a estatura física dos indivíduos, dado que as crianças asiático-Americanas desde o nascimento até aos sete anos são, em geral, as mais baixas e de estrutura física mais leve, enquanto que as crianças Negras são as mais altas e pesadas.

A razão comummente apresentada pelos investigadores para o facto dos cérebros maiores serem ‘mais inteligentes’ é que, normalmente, eles contêm mais neurónios e conexões, o que os torna mais eficientes (Haier, 1995) – razão pela qual possuem maior probabilidade de sucesso. Quanto maior for a capacidade cerebral, maior é a flexibilidade do cérebro diante dos desafios e problemas que enfrenta. Neste sentido, Rusthon argumenta que os Orientais têm, em média, mais uma polegada cúbica de matéria cerebral do que os Brancos, que por sua vez têm, em média, mais cinco polegadas cúbicas do que os Negros: «Uma vez que uma polegada cúbica de matéria cerebral contêm milhões de células cerebrais e centenas de milhões de conexões, as diferenças de tamanho cerebral ajudam-nos a explicar as diferenças raciais no QI» (Rusthon, 2000).

Mas as «razões» apresentadas por Rusthon (e partilhadas por muitos outros investigadores), para a justificação da correlação entre o cérebro e os resultados de QI, não são universais e invariáveis. De facto, ainda não foram realmente identificados os genes responsáveis por este tipo de conexões, embora elas existam. Ian J. Deary, em A Inteligência (2001) analisou o modo como as diferenças de inteligência psicométrica se relacionam com o tamanho do cérebro, a sua actividade eléctrica, a eficiência do processamento visual e a rapidez das reacções simples, acabando por chegar à seguinte conclusão: «existe uma modesta correlação entre o tamanho do cérebro e a inteligência psicométrica. Pessoas com cérebros maiores obtêm tendencialmente resultados mais elevados nos testes mentais. Porém, ainda não conseguimos descobrir a razão dessa associação» (Deary, I., 2001).

Aquilo que efectivamente os estudos científicos nos dão certeza é que: i) diferentes dimensões de cérebros correspondem – sem variações relevantes – a diferentes raças: os orientais possuem, em média, os cérebros maiores, os Negros os mais pequenos e os Brancos situam-se no meio; ii) a dimensão do cérebro está intimamente relacionada com determinadas apetências, como o QI, sendo que os cérebros com maior dimensão atingem resultados de QI mais elevados: os Orientais possuem, em média, os QI’s mais altos, seguidos dos Brancos e, por último, dos Negros.

De acordo com um vasto conjunto de investigadores – entre eles, Bouchard, T. J., Loehlin, J. C., Plomin, R., Rusthon, J.P., Herrnstein, R. J., Lynn, R., etc. – as diferenças no QI entre os Negros, os Orientais e os Brancos possuem uma base hereditária determinante, a qual Rusthon denomina de base genética: «(…) a hereditariedade do QI é de cerca de 50% para os Negros, Orientais e outros grupos, como é o caso dos Brancos. Por isso, existe uma base genética para a inteligência em todas as raças» (Rusthon, 2000). A melhor prova e também a mais utilizada para explicar que as diferenças de QI têm, efectivamente, uma base genética ou hereditária são os estudos de hereditariedade, nomeadamente os estudos realizados entre gémeos (Bouchard, T. J.), os estudos de adopção (Loehlin, J. C.) e, sobretudo, os estudos de adopções trans-raciais entre crianças Orientais, crianças Negras e crianças Mestiças.

Um estudo trans-racial muito famoso entre crianças Orientais, Negras e Mestiças é o do Minnesota Tranracial Adpption Study de Sandra Scarr e Richard A. Weinberg (1983). Inicialmente, os autores pensavam que o seu estudo provaria que um bom lar (i. e. um ambiente familiar com excelentes condições económicas e culturais) poderia aumentar o QI de crianças Negras – à partida mais desfavorecidas. Mas, no final do estudo, os investigadores constataram que o padrão racial coincidia totalmente com aquele que era previsto pela teoria genética, pois à medida que as crianças se foram aproximando da idade adulta, os resultados de QI tenderam progressivamente a assemelhar-se da média de QI dos respectivos grupos raciais. Assim, embora aos sete anos as crianças Negras registassem um QI de 97 – bastante acima do QI médio dos Negros e quase igual à média dos Brancos (100) – aos dezassete anos já só registavam um QI de 89, enquanto que as crianças Brancas um QI de 106 e as crianças mestiças um QI de 99. Estes resultados, juntamente com os dados da performance académica, das classificações dentro das turmas e dos testes de aptidão, comprovaram o mesmo padrão – confira-se abaixo:

Fig. 5: Retirado de Raça, Evolução e Comportamento (3ª Ed.) (p. 187)

O conjunto de resultados obtidos no quadro conduziu os investigadores à seguinte conclusão: «os adoptados provenientes de ambos os pais Afro-Americanos revelaram um QI que não era especialmente superior aos das crianças Negras que cresceram em famílias Negras» (Scarr, S., 1983). Apesar de inseridos num ambiente mais favorável, as crianças Negras não demonstraram uma melhoria significativa face a crianças Negras criadas por pais Negros – recorde-se que um QI de 70 ou 80 apenas é frequente em Negros que vivam na África. Portanto, aquilo que este estudo de adopção trans-racial nos demonstra é que: i) crescer e desenvolver-se num ambiente familiar da classe média Branca, não faz baixar o QI médio dos Orientais, nem aumentar o QI dos Negros, embora se tenha denotado uma ligeira melhoria nos resultados obtidos pelas crianças ao longo do estudo; ii) os genes são, de facto, responsáveis, pelo menos em parte (50%) pelas diferenças de QI entre as raças – dada a incapacidade do ambiente/cultura de as modificar.

Este estudo, tal como outros, demonstra que as diferenças raciais são causadas pela acção simultânea dos genes e do ambiente, razão pela qual o factor genético não deve ser alvo de ataques abusivos, nem menorizado face ao ambiental – apesar das contestações provocadas por alguns deles – mas considerado um factor relevante e útil, na medida em que nos pode ajudar: i) a compreender melhor a complexidade e o funcionamento de cada raça: a descobrir as suas potencialidades, as suas forças, os seus anseios, as suas virtudes, as suas fraquezas, etc. para melhor lidar com elas; ii) a criar condições sociais mais equitativas em prol da diminuição das desigualdades, no sentido de melhorar a qualidade de vida dos indivíduos, ou seja, de possibilitar «a realização, para o maior número possível de homens e mulheres e pelo tempo mais longo possível, das condições de vida correspondentes à dignidade humana» (Vidal, M., 1993).

DIFERENÇA RACIAL: A IMPORTÂNCIA DO «QI»

Em primeiro lugar, é preciso perceber que quando falamos de diferenças de inteligência entre grupos étnicos referimo-nos, usualmente, a diferenças nos resultados de testes de QI. Os testes de QI são habitualmente utilizados pelos psicólogos para avaliarem aquilo a que chamamos de «inteligência» ou «capacidade mental». Os testes de QI estão longe de serem perfeitos, no entanto, eles são extremamente úteis, pois não só medem a inteligência, como nos permitem dizer muito acerca do sucesso de um indivíduo na vida real. O padrão normal de QI é 100, o que significa que a pontuação média que as pessoas obtêm, maioritariamente, nos testes de QI é de 100. Isso acontece, porque os resultados dos testes de QI têm a conhecida distribuição «normal». Numa distribuição normal, a maioria dos valores aglomeram-se em torno de uma média – poucos valores diferem significativamente dela. Ao aglomerarem-se criam uma espécie de curva em forma de sino, conhecida como IQ Bell Curve (Curvatura do sino).

A pontuação média normal de QI (68%) oscila entre: não muito inteligente (QI pelos 85 – «dull») até brilhante (QI cerca de 115 – «bright»). Um QI de 70 (14%) sugere-nos a existência de algum tipo de deficiência, enquanto que QI’s de 130 (2%) ou mais indicam indivíduos sobredotados. A média de QI nos Orientais é cerca de 106, nos Brancos por volta dos 100 e nos Negros flutua pelos 85. Este padrão é verificado por todo o mundo e ao longo de vários e diversificados estudos, sendo que os negros de África possuem, na generalidade, um QI mais baixo que os Negros que vivem na América ou na Europa.


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No entanto, é necessária uma palavra de precaução quanto ao uso da sigla «QI», em detrimento do uso da palavra «inteligência»; ora, «QI» é a sigla de «quociente de inteligência», mas isso não quer dizer que «um teste de QI meça exactamente aquilo a que chamamos de ‘inteligência’ nos contextos comuns, embora exista, como é óbvio, uma correlação entre ambos» (Singer, P., 2002): geralmente, as pessoas consideradas «inteligentes» pelos restantes membros do seu meio sociocultural obtêm resultados mais altos nos testes de QI, enquanto que as menos «inteligentes» possuem resultados menos bons. Mas isto não mostra o grau de correlação existente e uma vez que o conceito de inteligência é extremamente vago, não existe forma correcta de o fazer.

Alguns psicólogos procuraram ultrapassar esta dificuldade definindo a inteligência apenas como ‘aquilo que é medido pelos testes de inteligência’: «Por inteligência entendo ‘competência cognitiva geral’ ou g, que refere a razoável sobreposição existente entre diversos processos cognitivos. Esta sobreposição é uma das mais consistentes descobertas da investigação das diferenças individuais entre as faculdades cognitivas humanas durante o ultimo século» (Plomin, R., 2000). Esta noção de um tipo único, genérico e mensurável de inteligência é geralmente referida como «g» e foi identificado por um oficial do exército inglês que se tornou psicológico, Charles Spearman, num famoso artigo de investigação datado de 1904. Spearman analisou os resultados escolares obtidos em diferentes disciplinas por um grupo de crianças e verificou que esses mesmos resultados tinham uma relação positiva, e que tal correlação se devia a uma capacidade intelectual geral – o factor g. Entretanto, decorreram décadas de argumentação entre os psicólogos, no sentido de apurar a existência ou não de uma tal entidade individual. Os seus apoiantes salientaram que o QI é útil para a previsão do sucesso escolar, porque: i) é relativamente consistente ao longo de toda a vida e; ii) de uma maneira geral, as pessoas que obtêm resultados elevados num teste de determinada competência cognitiva têm resultados igualmente elevados em testes de outras competências. Mas embora a declaração de Spearman tivesse adquirido grande aceitação, que perdura, em certa medida, até hoje, só por volta de 1940, é que ficou claro, que sempre que um grupo de pessoas era submetido a um conjunto de testes mentais, as correlações entre os resultados eram totalmente positivas e o factor geral na capacidade humana era, realmente, um factor significativo e incontornável: «o factor g é responsável por cerca de metade da variabilidade na capacidade intelectual da população em geral» (Plomin, R., 2000).

Portanto, quando os psicólogos usam a sigla «QI» não se estão a referir à noção de «inteligência» que usamos no quotidiano, nem a substituí-la por outra, mas a introduzir um novo conceito de «inteligência», que é muito mais fácil de medir, mas que pode ter um significado muito diferente. A distinção entre inteligência e QI levou algumas pessoas a desprezar os resultados dos testes de QI, por acharem que em nada se relacionavam com a aptidão cognitiva; outros demasiado confiantes nas potencialidades do QI acabaram por lhe atribuir primazia sobre quaisquer outras aptidões. Na verdade, QI não é o mesmo que inteligência, porém, existe uma conexão racionável que nos permite recolher resultados significativos – daí a sua importância. Assim, para não gerar confusões e uma vez que a palavra «inteligência» significa muitas coisas diferentes, falar-se-á somente em diferenças de QI, em detrimento de diferenças de inteligência, pois os dados de que dispomos não permitem sustentar mais do que isso.

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“Testing for Racial Differences in the Mental Ability of Young Children” – Roland G. Fryer, Jr. e Steven D. Levitt

Em testes de inteligência, os Negros pontuam sistematicamente pior do que os Brancos. Há quem argumente que as diferenças genéticas entre raças expliquem a diferença. O artigo utiliza dados provindos de estudos a nível nacional, e descobre diferenças raciais menores nos resultados dos testes (0.06 de desvio)  entre Negros e Brancos que desaparece com a inclusão de um conjunto limitado de controladores.

Diferenças raciais largas foram encontradas em resultados de testes em crianças com 2 anos de idade e diferenças raciais completas observadas mais tarde na vida presente aos 3 anos. Mesmo depois de ter em conta factores demográficos e sócio-económicos tais como salário parental, educação, profissão, ambiente familiar, peso de nascença, região e urbanicidade, permanece mesmo assim uma diferença racial substancial nos resultados do teste Branco-Negro. Os Asiáticos tendem a ter resultados médios sistematicamente mais elevados do que as outras raças.

Alguns estudiosos argumentam que a combinação da alta hereditariedade da inteligência e as diferenças raciais persistentes nos resultados dos testes são prova das diferenças genéticas entre as raças.

Os factores ambientais comportam um papel pequeno em idades iniciais, e a presença duma diferença racial inicial em resultados de testes pode impulsionar o argumento a favor da base genética para as diferenças raciais.

Os dados em bruto dos Negros são indistinguíveis dos Hispânicos e Asiáticos, que também têm ligeiramente piores resultados do que os Brancos. Pelos 2 anos de idade, os Brancos, em média, têm melhores resultados do que crianças de outras raças por 0.3-0.4 de desvio de dados em bruto, e 0.2-0.3 de desvio com a inclusão de controladores extensivos.

Quando se calibra os resultados para um modelo simples em que os resultados são afectados por genes e pelo ambiente, a caracterização que melhor se adapta aos dados observados é um em que há pequenas diferenças raciais médias na inteligência, e os factores ambientais tornam-se importantes determinadores dos resultados dos testes tais como a idade das crianças, havendo também uma maior diferença média racial no ambiente.

O aparecimento tardio das diferenças raciais nos testes é também consistente com a existência de uma interacção genético-ambiental. No modelo de Dickens e Flynn, uma curva de feedback positivo existe entre genes e ambiente, que ao longo do tempo serve para aumentar a pequena diferença inicial quando as circunstâncias genéticas e ambientais estão positivamente correlacionadas.