Monthly Archives: Abril 2008

DIFERENÇA RACIAL: A IMPORTÂNCIA DO «QI»

Em primeiro lugar, é preciso perceber que quando falamos de diferenças de inteligência entre grupos étnicos referimo-nos, usualmente, a diferenças nos resultados de testes de QI. Os testes de QI são habitualmente utilizados pelos psicólogos para avaliarem aquilo a que chamamos de «inteligência» ou «capacidade mental». Os testes de QI estão longe de serem perfeitos, no entanto, eles são extremamente úteis, pois não só medem a inteligência, como nos permitem dizer muito acerca do sucesso de um indivíduo na vida real. O padrão normal de QI é 100, o que significa que a pontuação média que as pessoas obtêm, maioritariamente, nos testes de QI é de 100. Isso acontece, porque os resultados dos testes de QI têm a conhecida distribuição «normal». Numa distribuição normal, a maioria dos valores aglomeram-se em torno de uma média – poucos valores diferem significativamente dela. Ao aglomerarem-se criam uma espécie de curva em forma de sino, conhecida como IQ Bell Curve (Curvatura do sino).

A pontuação média normal de QI (68%) oscila entre: não muito inteligente (QI pelos 85 – «dull») até brilhante (QI cerca de 115 – «bright»). Um QI de 70 (14%) sugere-nos a existência de algum tipo de deficiência, enquanto que QI’s de 130 (2%) ou mais indicam indivíduos sobredotados. A média de QI nos Orientais é cerca de 106, nos Brancos por volta dos 100 e nos Negros flutua pelos 85. Este padrão é verificado por todo o mundo e ao longo de vários e diversificados estudos, sendo que os negros de África possuem, na generalidade, um QI mais baixo que os Negros que vivem na América ou na Europa.


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No entanto, é necessária uma palavra de precaução quanto ao uso da sigla «QI», em detrimento do uso da palavra «inteligência»; ora, «QI» é a sigla de «quociente de inteligência», mas isso não quer dizer que «um teste de QI meça exactamente aquilo a que chamamos de ‘inteligência’ nos contextos comuns, embora exista, como é óbvio, uma correlação entre ambos» (Singer, P., 2002): geralmente, as pessoas consideradas «inteligentes» pelos restantes membros do seu meio sociocultural obtêm resultados mais altos nos testes de QI, enquanto que as menos «inteligentes» possuem resultados menos bons. Mas isto não mostra o grau de correlação existente e uma vez que o conceito de inteligência é extremamente vago, não existe forma correcta de o fazer.

Alguns psicólogos procuraram ultrapassar esta dificuldade definindo a inteligência apenas como ‘aquilo que é medido pelos testes de inteligência’: «Por inteligência entendo ‘competência cognitiva geral’ ou g, que refere a razoável sobreposição existente entre diversos processos cognitivos. Esta sobreposição é uma das mais consistentes descobertas da investigação das diferenças individuais entre as faculdades cognitivas humanas durante o ultimo século» (Plomin, R., 2000). Esta noção de um tipo único, genérico e mensurável de inteligência é geralmente referida como «g» e foi identificado por um oficial do exército inglês que se tornou psicológico, Charles Spearman, num famoso artigo de investigação datado de 1904. Spearman analisou os resultados escolares obtidos em diferentes disciplinas por um grupo de crianças e verificou que esses mesmos resultados tinham uma relação positiva, e que tal correlação se devia a uma capacidade intelectual geral – o factor g. Entretanto, decorreram décadas de argumentação entre os psicólogos, no sentido de apurar a existência ou não de uma tal entidade individual. Os seus apoiantes salientaram que o QI é útil para a previsão do sucesso escolar, porque: i) é relativamente consistente ao longo de toda a vida e; ii) de uma maneira geral, as pessoas que obtêm resultados elevados num teste de determinada competência cognitiva têm resultados igualmente elevados em testes de outras competências. Mas embora a declaração de Spearman tivesse adquirido grande aceitação, que perdura, em certa medida, até hoje, só por volta de 1940, é que ficou claro, que sempre que um grupo de pessoas era submetido a um conjunto de testes mentais, as correlações entre os resultados eram totalmente positivas e o factor geral na capacidade humana era, realmente, um factor significativo e incontornável: «o factor g é responsável por cerca de metade da variabilidade na capacidade intelectual da população em geral» (Plomin, R., 2000).

Portanto, quando os psicólogos usam a sigla «QI» não se estão a referir à noção de «inteligência» que usamos no quotidiano, nem a substituí-la por outra, mas a introduzir um novo conceito de «inteligência», que é muito mais fácil de medir, mas que pode ter um significado muito diferente. A distinção entre inteligência e QI levou algumas pessoas a desprezar os resultados dos testes de QI, por acharem que em nada se relacionavam com a aptidão cognitiva; outros demasiado confiantes nas potencialidades do QI acabaram por lhe atribuir primazia sobre quaisquer outras aptidões. Na verdade, QI não é o mesmo que inteligência, porém, existe uma conexão racionável que nos permite recolher resultados significativos – daí a sua importância. Assim, para não gerar confusões e uma vez que a palavra «inteligência» significa muitas coisas diferentes, falar-se-á somente em diferenças de QI, em detrimento de diferenças de inteligência, pois os dados de que dispomos não permitem sustentar mais do que isso.

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FAZ SENTIDO DEFENDER A DIVERSIDADE GENÉTICA?

NATURE (INATO) VS. NURTURE (ADQUIRIDO): RAÇA, QI E GENÉTICA

IGUALDADE E DIVERSIDADE

PONTES, J.

INTRODUÇÃO: FAZ SENTIDO DEFENDER A DIVERSIDADE GENÉTICA?

«O bosque seria muito triste se só cantassem os pássaros que cantam melhor.»

Rabindranath Tagore, s/n

O debate do inato vs adquirido tem sido ubíquo na história das ciências do comportamento, sendo que as abordagens das ciências sociais e das ciências biológicas ao estudo do comportamento têm sido quase mutuamente exclusivas. Todavia, um número crescente de trabalhos, sobretudo na área de psicologia e neurologia, têm vindo a documentar o efeito primordial de factores genéticos (face a ambientais) na demarcação da raça, personalidade, comportamento e QI (quociente de inteligência). Tais resultados sugerem que os efeitos de factores sociais na expressão do comportamento e da personalidade devem ter como base processos biológicos, i. e. explicações genéticas. Os estudos de adopção trans-racial (em que crianças de uma determinada raça são adoptados e educados por pais de outra raça), os estudos sobre a regressão para o nível médio (que compara pais e irmãos de grupos raciais diferentes) e os estudos sobre a influência da depressão consanguínea (que estudam os filhos de pais aparentados entre si por laços de sangue) fornecem a prova de que os genes são responsáveis pelas diferenças entre as raças, em termos de QI, personalidade, atitudes e outros comportamentos, nos quais desempenham um papel determinante. Na sua maioria, estes estudos convergem na ideia segundo a qual «the Brain size matters» (Rushton, J. P., & Ankney, C. D., 1996), ou seja, a dimensão do cérebro faz toda a diferença, pois as divergências nas capacidades cognitivas estão directamente correlacionadas com as diferenças de dimensão do cérebro, a idade, o sexo, a classe social e a raça (Rusthon, J. P., & Ankney, C. D., 1996; Penke, Denissen, Miller, 2007).

Encontra-se perfeitamente estabelecido, pelas ciências do comportamento, que de que existe uma grande variabilidade dentro de cada grupo racial, bem como notórias diferenças médias na dimensão do cérebro e na capacidade cognitiva (QI) entre as raças (Lynn, R., & Vanhanen, 2002; Jensen & Rusthon, 1988). Aliás, existe um consenso ético universal de que nós tratamos as pessoas como indivíduos. No entanto, certos grupos de opinião muito activos nos meios académicos e de comunicação social proíbem, pura e simplesmente o público de participar numa discussão franca sobre o assunto. Para muitos, é inquietante que o facto de se mencionar que as raças diferem possa levar à criação de estereótipos e limitar a igualdade na consideração de interesses e oportunidades.

Um dos desafios que se coloca é o seguinte: ‘Suponhamos que se revela que um determinado grupo étnico (raça X) tem um QI médio superior ao de outro (raça y) e que esta diferença se deve, em parte, a factores genéticos. Asserção: x é geneticamente superior em QI a y.’ Será isto racismo defensável? Teremos, por isso, que rejeitar o princípio da igualdade? Ou será apenas a prova científica do quanto rico e diversificado o potencial genético humano é, e a sua importância na consideração da igualdade de interesses?

Alguns comentadores lidam com a natureza provocatória destas pesquisas (Helfrich:’provocate paper’; B. Spinath: ‘explosive potential’), mas serão este género de investigações especialmente provocantes ou, pelo contrário, importantes pesquisas sociais e culturais, provocativas devido ao impacto que provocam nos ‘interesses’ e filosofias de vida? Outros autores levantaram questões acerca das consequências étnicas e políticas da investigação da inteligência a nível nacional (Allik, Asendorpf, F. Spinath), tais como: qual é o valor científico de mapas-mundo (mapas mundi) com as diferenças de QI? Qual é o objectivo de figuras a ilustrarem as correlações negativas entre as capacidades cognitivas a nível nacional?

Antes de existirem quaisquer testes de inteligência e comportamento, filósofos (Aristóteles, Voltaire, D. Hume), investigadores (Broca, Darwin, Galton), assim como todos os fundadores da teoria da evolução e antropologia acreditavam na existência de uma ligação entre raça, inteligência e realizações culturais. Até Freud acreditava que existiam diferenças raciais até certo ponto. Hoje, um vasto conjunto de investigações científicas comprova aquilo em que anteriormente apenas podíamos acreditar: a raça é, efectivamente, «mais do que uma questão de pele» (Rushton, J. P., 2000), é uma realidade biológica com implicações na ciência e na vida quotidiana social (Herrnstein & Murray, 1994; Jensen, A. R., 1998; Lynn, R., & Mikk, J., 2007); por isso, qualquer investigação que envolva estudos comparativos entre raças não deve, em momento algum, ser menosprezada.

Este artigo pretende esclarecer que o reconhecimento da diferença racial e das discrepâncias a ela coligadas não é fruto de racismo, xenofobia ou de uma qualquer tentativa de menorizar a igualdade inerente a cada ser humano, mas de um elucidado reconhecimento da existência de diversidade/pluralidade genética – uma das maiores riquezas da humanidade. Tendo como base uma quantidade razoável de estudos acerca das diferenças raciais, acredito ser possível defender a diversidade genética, sem agredir ética e psicologicamente a sociedade e que a abolição da utilização do termo «raça» não tem quaisquer repercussões nos defensores do racismo – pelo contrário. O reconhecimento da diversidade racial abre a possibilidade de aprofundar o estudo da raça na sua completude, i. e. de conhecermos melhor quais são os seus anseios, virtudes, fraquezas, forças, etc., que nos permitirão responder de forma mais eficaz às suas carências, pois só quando considerarmos os genes e o ambiente em conjunto é que estaremos aptos a compreender a complexidade dos problemas humanos, e é só com esse conhecimento que a sociedade poderá tentar resolvê-los. O primeiro passo implica, assim, honestidade intelectual acerca das raças, da sua evolução e comportamento (desprovidos de ‘tabus’) para podermos progredir no sentido de uma sociedade mais esclarecida, humanizante e preparada para superar as adversidades na diversidade.